Política
25/03/2026
O Governo do Rio Grande do Norte acumula uma dívida de R$ 363,3 milhões em consignados descontados dos servidores, mas ainda não repassados às instituições financeiras. O valor foi apresentado nesta quarta-feira (26) pelo secretário da Fazenda, Cadu Xavier, em reunião da Comissão de Finanças e Fiscalização da Assembleia Legislativa.
Segundo o secretário, o passivo se refere ao período entre maio de 2023 e março de 2026. Ele atribuiu os atrasos à frustração de receitas em 2025, estimada em R$ 474,5 milhões, com impacto sobre ICMS, IRRF e IPVA. Diante do cenário, o governo priorizou o pagamento da folha e despesas obrigatórias.
— Não é a situação ideal, mas a gestão exige escolhas — afirmou.
Xavier disse ainda que não há negativação de servidores, já que os descontos seguem sendo feitos em folha, e que eventuais encargos estão sendo assumidos pelo Estado. O governo negocia com bancos a redução ou remissão desses custos.
Deputados, porém, cobraram explicações e criticaram o descumprimento de prazos já anunciados. O presidente da comissão, Luiz Eduardo (Solidariedade), lembrou que havia promessa de regularização ainda em 2025 e informou que acionou o Tribunal de Contas do Estado e o Banco Central, onde já há auditoria em curso.
— Houve compromisso que não foi cumprido — disse.
Parlamentares também questionaram quem arcaria com eventuais prejuízos aos servidores e demonstraram preocupação com o novo cronograma, que prevê quitação apenas até o fim de 2026.
O secretário afirmou que o Estado adotou um plano de amortização gradual, com pagamento das parcelas correntes e acréscimos mensais para reduzir o estoque da dívida.
Outro ponto levantado foi a base legal da retenção. Segundo o governo, os contratos preveem prazo de até 40 dias para o repasse após o pagamento da folha.
Ao final, a comissão aprovou pedido para envio dos contratos firmados com as instituições financeiras, ampliando a fiscalização sobre o caso.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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