Justiça
14/04/2026
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rebateu com força o relatório final da CPI do Crime Organizado hoje (14). Para o magistrado, o pedido de indiciamento contra ele e outros colegas da Corte não possui qualquer fundamento jurídico.
Mendes usou as redes sociais para afirmar que a iniciativa do relator Alessandro Vieira, do MDB-SE, extrapola as funções do Congresso. Ele acredita que o texto tenta criminalizar decisões legítimas, como a concessão de habeas corpus.
“O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”, escreveu. O ministro alertou que a situação se agrava quando o pedido “flerta com arbitrariedades”.
Gilmar Mendes classificou o documento como uma "cortina de fumaça" para esconder a falta de investigação contra milícias e facções criminosas. Segundo ele, o relatório serve apenas para "engrossar a espuma midiática" em busca de lucros eleitorais para certos políticos.
O magistrado lembrou que o indiciamento é um ato exclusivo da autoridade policial e não cabe em casos de crimes de responsabilidade. Esses processos seguem ritos próprios previstos em lei e envolvem o Congresso Nacional de forma específica.
Além de Gilmar, o texto de Vieira mira Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet. A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) defendeu Gonet, chamando as conclusões do relator de "precipitadas".
A votação do polêmico relatório ocorre ainda nesta tarde, marcando o fim dos trabalhos da comissão. Caso aprovado, o pedido de impeachment das autoridades deverá ser entregue formalmente à Mesa do Senado Federal.
O clima em Brasília esquentou com a reação do decano, que vê o uso de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para fins panfletários como um risco à credibilidade das instituições. Para ele, excessos desse tipo podem configurar abuso de autoridade.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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