Brasil
27/08/2026
O Seridó é a região do Rio Grande do Norte que mais preocupa diante da previsão de um El Niño forte, com possibilidade de chegar à categoria “muito forte” entre outubro e novembro. A baixa recarga dos reservatórios durante o período chuvoso aumenta o risco para o abastecimento e as atividades econômicas.
Segundo informações publicadas pela Tribuna do Norte, mais de 95% do território potiguar está no semiárido e pode sofrer com a redução das chuvas provocada pelo fenômeno. O meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bistrot, afirma que o El Niño já entra na categoria “forte”.
O secretário estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Paulo Varella, considera o Seridó uma área que exige atenção especial. “Dentro da questão da vulnerabilidade, a área do Seridó aparece como uma área que merece uma atenção especial. Não pela quantidade de chuva diferenciada em relação aos outros, mas pela recarga dos reservatórios que foi estabelecida neste ano”, afirmou.
A principal exceção é a Barragem de Oiticica, que chegou a 75% de armazenamento, com capacidade para 560 milhões de metros cúbicos. Outros reservatórios importantes da região tiveram pouca reposição de água.
“Praticamente todo o resto da açudagem potiguar não pegou água. Os açudes de Gargalheiras, Dourado, Sabugi, Boqueirão de Parelhas, Esguicho, Passagem das Traíras, Itans, enfim, a açudagem do Seridó teve uma recarga pífia”, disse Varella.
A previsão de chuvas menores pode afetar o abastecimento das cidades e aumentar a pressão sobre os reservatórios. A agropecuária também entra na lista de setores vulneráveis, com risco de redução das pastagens e da produção de forragem.
“A redução do padrão das chuvas implicará em impactos no abastecimento das cidades, porque haverá restrição de recarga dos açudes, dos nossos reservatórios. Haverá impactos do ponto de vista econômico e social”, afirmou Varella.
Para enfrentar um possível período seco, o Estado cita obras e ações como a conclusão da Barragem de Oiticica, recuperação de barragens, ampliação de adutoras, perfuração de poços e instalação de dessalinizadores. O Projeto Seridó, a Adutora do Agreste e estruturas ligadas à transposição do Rio São Francisco também fazem parte da estratégia.
O Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) monitora os reservatórios, enquanto o Estado acompanha o Monitor de Secas com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A orientação é combinar obras, controle das reservas e uso consciente da água.
Na agropecuária, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Norte (Faern) defende planejamento antecipado, com irrigação mais eficiente, calendário de plantio baseado nas previsões meteorológicas e formação de estoques de alimentação para os rebanhos.
“Caso se confirme um período de chuvas abaixo da média ou mal distribuídas, podemos ter redução da umidade do solo, perdas de produtividade nas lavouras de sequeiro [ex: milho e feijão], menor disponibilidade de pastagens e aumento dos custos de alimentação dos rebanhos. A pecuária de leite merece atenção especial porque necessita de oferta regular de água e alimento ao longo de todo o ano”, afirma a entidade.
Apesar dos riscos, a Faern recomenda cautela e planejamento, e não pânico. “Existe um cenário que merece atenção e preparação, mas não de alarmismo. O El Niño está configurado, porém a intensidade dos seus efeitos no estado dependerá de como irão se comportar as chuvas nos próximos meses”, completa.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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