Economia
21/03/2026
O jornalista Ricardo Noblat chamou atenção, em publicação recente, para um novo foco de tensão no sistema financeiro brasileiro envolvendo o banco Digimais, instituição associada ao bispo Edir Macedo, e suas conexões políticas com o Republicanos.
A análise de Noblat tem como base reportagem da revista Piauí, que revelou um quadro de forte deterioração financeira da instituição. Segundo estimativas de mercado citadas na apuração, o Digimais apresentaria patrimônio líquido negativo na casa de R$ 8,5 bilhões — um rombo que acendeu alerta no setor.
Para o colunista, a gravidade da situação pode estar sendo parcialmente ofuscada pela repercussão do escândalo envolvendo o Banco Master. Ele sugere que o foco concentrado nesse caso maior acabou relegando a segundo plano uma crise que também tem potencial de impacto relevante.
De acordo com as informações reportadas, o desempenho negativo do Digimais estaria associado a uma combinação de fatores, incluindo exposição a ativos de alto risco, perdas em operações estruturadas e disputas judiciais envolvendo valores expressivos. Parte dessas dificuldades teria conexão indireta com negócios e estruturas financeiras que orbitam o caso Banco Master.
O episódio ganha dimensão política ao envolver o Republicanos, legenda historicamente vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus. A interseção entre instituição financeira, grupo religioso e partido político é apontada como um dos elementos que ampliam a sensibilidade do caso no debate público.
Apesar da gravidade das informações, não há, até o momento, confirmação de investigação formal específica contra o Digimais nos moldes de operações policiais ou ações judiciais de grande escala. O cenário descrito decorre, sobretudo, de dados de mercado e de reportagens jornalísticas, com destaque para a apuração da revista Piauí.
Ao trazer o tema à tona, Noblat reforça a percepção de que o sistema financeiro pode estar diante de um novo foco de instabilidade ainda pouco explorado — agora com desdobramentos que ultrapassam o campo econômico e alcançam a arena política.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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